Atualmente, as mortes no trânsito não
acontecem somente em função dos acidentes. Muitas pessoas já foram vítimas
fatais em decorrência de brigas e discussões. Estas mortes não são
computadas nos levantamentos estatísticos realizados pelos órgãos do Sistema
Nacional de Trânsito (SNT), mas têm acontecido com frequência.
Não bastassem a imprudência, a
imperícia e a negligência humanas, principais fatores responsáveis pela
ocorrência de, aproximadamente, 35 mil mortes anuais por acidentes de
trânsito, há também o que se pode denominar de crise ética em nossa
sociedade. Crise esta manifestada em cenas de agressão e de violência no
trânsito, estampadas diariamente nas manchetes dos jornais em todo o país.
Portanto, não se pode mais pensar em
acidentes de trânsito como fatos naturais ou algo do destino. Os acidentes
não precisam ocorrer e podem ser evitados a partir de medidas que tenham por
objetivo incentivar a aquisição de valores e posturas voltados ao bem comum.
Isto porque o trânsito intervém visivelmente na ordenação e na organização
dos lugares, nos estilos arquitetônicos, nas estruturas urbanas, nas vias de
transporte, etc. Porém, o que o torna ainda mais extraordinário é a sua
capacidade de transformar os indivíduos em seres coletivos que compartilham
o mesmo espaço: o espaço público.
E para compartilhar o espaço público é
imprescindível que as pessoas aprendam a conviver; aprendam a pensar
de forma coletiva, em favor do bem comum. Assim, é de fundamental
importância que os órgãos e entidades do SNT empreendam esforços no sentido
de executar ações voltadas à educação. E fazer educação para o
trânsito exige a implementação de projetos e programas comprometidos com
informações, mas, sobretudo, com valores ligados à cidadania.
Fundamentar a educação de trânsito em
valores é um desafio; um compromisso a ser assumido por todos os
profissionais da área. Por este motivo, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran)
elegeu 2009 como o ano da EDUCAÇÃO NO TRÂNSITO.
Embora abrangente, o tema EDUCAÇÃO
NO TRÂNSITO possibilitará que os órgãos e entidades do SNT trabalhem no
sentido de promover, à população em geral, iniciativas focadas em valores
como respeito, gentileza, cooperação, colaboração, tolerância,
solidariedade, amizade, entre outros tão importantes ao trânsito seguro
e harmônico.
Por outro lado, este tema, certamente,
chamará a atenção das escolas de ensino regular para a importância da
implementação de atividades relacionadas ao trânsito em sala de aula,
reforçando e fortalecendo o trabalho desenvolvido pelas coordenações de
educação, obrigatórias em todos os órgãos e entidades do SNT, conforme
dispõe o § 1º do Artigo 74 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
Os recursos educativos e as peças
publicitárias produzidas por ocasião da Semana Nacional de Trânsito, deverão
transcender a mera apresentação de regras e normas, oportunizando a reflexão
sobre o comportamento das pessoas no trânsito. Não para sentenciar culpas,
mas para construir uma nova cultura, ancorada em princípios éticos e de
cidadania.
Assim, desde já, espera-se que o tema eleito
pelo Contran seja divulgado e trabalhado junto à sociedade.
ALFREDO PERES DA SILVA
Presidente do Contran e Diretor do
Denatran
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Leia
aqui a opinião de
Carlos Alberto
Ferreira dos Santos, membro do Conselho Nacional de Trânsito (Contran)
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"O TRÂNSITO NOSSO DE CADA
DIA" por Carlos Alberto Ferreira dos Santos
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