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Semana Nacional de trânsito 2009
 

publicado em 09 de abril de 2009

 

Educação no Trânsito: conviver é preciso

 

Conviver é preciso; morrer não é preciso! Digo isso, parafraseando o general romano Pompeu, 106-48 a.C., aos amedrontados pedestres e motoristas de veículos automotores que se recusam a enfrentar o desafio de conviver em coletividade. Preferem reagir agressivamente a qualquer contrariedade de sua vontade, a qualquer pisada no pé, não permitindo que as qualidades sobressaiam aos defeitos, ambos inerentes aos temperamentos. Facilmente se rendem ao instinto natural do ser humano de revidar à menor provocação.

Como “galos de briga”, os homens desprezam a tolerância e partem raivosos para cima um do outro, colhendo muitas vezes como fruto de seus desatinos a própria morte, ou a de terceiros que apenas seguiam o mesmo caminho na via sem saber que seriam vítimas da intolerância.

Realçar as qualidades sem ignorar os defeitos, e fazer com que a paciência e a tolerância sejam condutores do comportamento, é o desafio da educação no trânsito para que as agressões decorrentes das variações do humor de pedestres e motoristas de carros, ônibus, caminhões e motocicletas cessem de abreviar a vida de pessoas que, bem ou mal, percorrem o mesmo trajeto no trânsito. 

Morrer não é necessário! Necessário é viver para que o propósito do tempo complete em cada fase da existência: a criança cresça, o adolescente resplandeça e o adulto amadureça sendo exemplo para os mais novos.

O sentimento machista da personalidade do homem tem cegado sua visão. Não o tem deixado enxergar a importância de obedecer às regras para se ter uma convivência pacífica na vida, notadamente no trânsito, e alcançar a desejada longevidade. O orgulho em achar que precisa provar algo a alguém ou mostrar que não leva desaforo para casa, tem feito pais não retornarem aos seus lares e jovens verem seus sonhos virarem pó.

Os atos de violência no trânsito geralmente decorrem de discussões por motivos fúteis como manobras erradas, ultrapassagens indevidas, “fechadas”, buzinadas, pequenas colisões, xingamentos. Não se respeita nem a presença de mulheres e crianças no veículo, que são agredidas e humilhadas pela fúria de homens enlouquecidos, chutadores de portas e quebradores de retrovisores, armados para dar vazão à arrogância de seus temperamentos.

O Conselho Nacional de Trânsito – Contran, em defesa da vida (§5º do Art. 1º do CTB), distinguiu a Educação no Trânsito como tema para a Semana Nacional de Trânsito de 2009, que se propõe a abordar a importância da educação na formação do caráter do condutor de veículos, a qual deve começar já no ensino fundamental, nos primeiros anos de vida da criança.

Não há estatísticas que consagrem esse tipo de comportamento no trânsito. Mas, com base no noticiário, depreende-se que o ciclo da vida humana tem sido interrompido muito cedo. Há jovens motoristas que morrem por não conseguirem conviver com as provocações nas ruas. Há pessoas, consideradas por todos como calmas, que se transformam em verdadeiros “Patetas no trânsito” quando estão diante do volante de seu carro. Há outras que tardiamente se arrependem de seus atos agressivos, mas há as inteligentes que se arrependem no momento da ira por se lembrarem que existe alguém que as ama esperando em casa, ou por verem o desespero de esposas e filhos assentados no carro como passageiros da agonia.

A morte em discussões no trânsito é apenas uma das pontas do iceberg da violência que rasga o casco desta grande nação brasileira. Não se consegue mais tapar os buracos com as mãos ou tirar a água com latas. É preciso derreter o gelo da cara feia com o calor da compreensão, da gentileza, da solidariedade, da amizade, do respeito.

Resistir às ofensas, evitando o confronto com o ofensor mesmo estando coberto de razões, não é sinal de covardia, mas característica de hombridade. É portar-se como o Homem que deu a outra face ao que lhe agredia e deixou sua roupa do corpo para quem lhe quisesse tomar. Fez isso não para salvar sua vida, mas por pensar na vida dos outros que seguiriam o seu caminho.

Não é fácil proceder assim. Mas uma educação dirigida para o trânsito, por meio da disseminação de valores e bons costumes, fará com que as qualidades sobressaiam na formação do caráter cidadão da criança e no amadurecimento da personalidade do adulto.  Conviver é preciso! É questão de sobrevivência!

 

 

Carlos Alberto Ferreira dos Santos

Membro do Conselho Nacional de Trânsito

 

 

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