A Criança no
Trânsito.
Seguindo a visão de
um trânsito pessoal que particulariza a vida no exercício diário da
cidadania, o Conselho Nacional de Trânsito definiu como tema da Semana
Nacional de Trânsito deste ano: A Criança no Trânsito. No ano passado, o
jovem teve aberta à janela de sua vida no trânsito. E em 2006, o foco da
atenção foi o motociclista.
Não foi à toa que
a criança foi escolhida como mote da campanha de 2008. Dados do Ministério
da Saúde apontam que 2.427 crianças (de 0 a 14 anos) morreram no trânsito em
2004 (41% do total das crianças mortas em acidentes). Em 2003 foram 2.446
vidas perdidas. Pesquisa realizada em 2000 pela Rede Sarah de Hospitais de
Reabilitação demonstrou que do total de pedestres atropelados, 39,2% foram
crianças na faixa etária entre 5 e 15 anos.
Cidadã desde o
ventre de sua mãe, a criança goza do direito de um trânsito saudável e
seguro já durante os nove meses de gestação. Nessa época começa a serem
revelados os mistérios da paternidade e maternidade. E ter sabedoria para
educar os filhos é, sem dúvida, o maior segredo a ser buscado pelos pais.
Ensiná-los a se comportar nas ruas se inicia ao sair para passear com eles
nas calçadas e parques. Bons exemplos dados na infância firmarão seus
valores morais e éticos, e os favorecerão em todas as circunstâncias da vida
no trânsito. No andar sem pressa; na paciência com os outros; no atravessar
na faixa de pedestre; no respeitar a sinalização de trânsito; no usar o
cinto de segurança; no caminhar de mãos dadas. Toda ação e reação dos pais
são notadas pela criança, e serão imitadas em casa, na escola e nas ruas.
O Código de
Trânsito Brasileiro (CTB) disciplina ações específicas relacionadas com a
criança no trânsito. No tocante à educação, o Departamento Nacional de
Trânsito vem desenvolvendo estudos para definição das diretrizes nacionais
da educação para o trânsito no ensino básico (Art. 76).
O transporte
correto das crianças pode reduzir em muito a gravidade das lesões e dos
óbitos em acidentes de trânsito. Assim, conduzir crianças de até 10 anos de
idade só é permitido no banco traseiro do veículo (Art. 64 do CTB), devendo
ser usado cinto de segurança ou serem acomodadas em assentos, conforme o
peso e tamanho. O bebê não deve ser transportado no colo. Deve-se usar
equipamento adequado preso ao banco traseiro que evite, em caso de freada
brusca ou acidente, sua projeção contra o painel e vidros ou mesmo de ser
atirada para fora do veículo. Para as crianças maiores, caberá aos pais a
escolha do melhor modo de transportá-las. Podem fazê-lo por meio de cinto de
segurança ajustado para seu tamanho, ou por cadeirinha especial equipada no
banco traseiro do veículo.
No transporte de
crianças por motocicletas, o CTB penaliza com multa gravíssima motociclistas
que transportem menores de 7 anos (Art. 244). Quanto ao transporte escolar
(Art. 136), os veículos deverão ter cintos de segurança para todos os
passageiros, além de dispor de dispositivos de segurança para as crianças de
até 10 anos de idade.
As crianças são
corredores natos. Impulsivas e irrequietas por natureza correm atrás de
bolas, pipas e balões. Correm nas garagens e estacionamentos. Correm em
bicicletas, patins, skates, patinetes. Também consideram o lugar onde moram
refúgio seguro para brincar ou sentar despreocupadas no meio-fio e cantos da
rua. Sentem-se confiantes por divisarem o portão de casa. Ingênuas entendem
que há sempre alguém os vigiando e protegendo. Têm campo de visão restrito a
sua pequena estatura, não discernindo o perigo nos carros que se aproximam.
Muitas vezes são surpreendidas em atropelamentos por motoristas que não
priorizam sua presença nas ruas.
As crianças não
são anjos que diante do perigo batem suas asas e alçam vôo. Por isso, como
adultos precisamos ser diligentes e atenciosos ao dirigir nos bairros das
cidades. Agindo sempre com a possibilidade de uma criança surgir de repente
ou estar brincando na rua. Acendendo os faróis no interior de garagens e
estacionamentos cobertos. Respeitando os sinais e faixas de pedestres. Tendo
cuidado redobrado quando uma criança se aproximar para atravessar.
A ausência de
malícia, a sinceridade e a humildade tão marcantes na personalidade da
criança levou Jesus a afirmar certa ocasião que “das tais é o reino dos
céus”. Ele foi mais além, ao dizer que os adultos deveriam ser como
crianças. Não na criancice própria desse tempo da existência, mas na
humildade e esperança de seu coração.
Carlos Alberto
Ferreira dos Santos
Membro do Conselho
Nacional de Trânsito
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