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Você e a
moto: uma união feliz.
A liberdade de andar sobre
duas rodas se assemelha à do uso da “calça velha azul e desbotada” da antiga
propaganda, criada para dar leveza e desembaraço ao caminhar do ser humano. O
sentimento de “voar leve à toa” da gaivota da canção é sentido no toque ágil e
desenvolto da motocicleta se movendo no trânsito, no balanço da linha tênue que
separa a vida da morte.
A comemoração da Semana
Nacional de Trânsito que ocorrerá de 18-25 de setembro lançará luzes sobre as
mais de 7,4 milhões de motocicletas
que circulam nas cidades brasileiras, a lazer ou a trabalho. O tema escolhido
pelo Conselho Nacional de Trânsito – “Você e a moto: uma união feliz” – tem o
objetivo de chamar a atenção de condutores, caronas, pedestres e demais
companheiros que dividem o espaço viário, para o uso apropriado e seguro deste
meio de transporte importante para vencer os transtornos causados pelo inchaço
das cidades.
Mas não há liberdade sem
limites e não há responsabilidade sem conseqüências. E a conscientização dos
limites e das conseqüências devidos ao uso da motocicleta precisa ser inculcada
no motociclista, para que ele não venha a sofrer a desventura de acidentes que
afetarão a sua vida.
O casamento do homem e
motocicleta aconteceu para ser uma união feliz e duradoura, em que ambos se
respeitem e se complementem no trânsito do dia-a-dia. É como o amor do cavaleiro
e o seu cavalo concorrendo para alcançar a harmonia que os levará à perfeição do
salto para a vitória.
E não há constância no
relacionamento sem o conhecimento e a aceitação do outro parceiro. A motocicleta
tem qualidades, mas também reúne defeitos próprios de sua personalidade instável
e frágil que podem provocar acidentes quando de sua condução negligente. O seu
uso consciente e eficaz trará vantagens aos que dela se servem quanto à
diminuição do estresse causado pela perda de tempo em congestionamentos, ou em
tentativas frustradas de paradas em estacionamentos.
A motocicleta encurta
distâncias e abrevia o tempo da viagem, mas o emprego da velocidade além dos
limites permitidos inibe os reflexos do condutor atirando contra o asfalto a
vida apressada.
A motocicleta facilita a
travessia no trânsito pesado dos carros, ônibus e caminhões, mas a fragilidade
de sua arquitetura impõe a rigidez da condução em obediência às normas de
trânsito e de segurança. A sua aproximação rápida do objeto se torna um fator
surpresa que assusta e, muitas vezes, desequilibra emocionalmente motoristas e
pedestres que transitam nas vias.
A manutenção periódica da
motocicleta é um sinal de zelo pela vida. A emissão de poluentes e o barulho
irritante que procede do escapamento acusam o desleixo do motociclista tanto com
sua própria saúde, como também com a dos outros que o acompanham na garupa ou
que circulam no mesmo ambiente urbano. A certificação das boas condições para o
seu uso, mediante a verificação quanto à regulagem do motor, estado do
escapamento e pneus são cuidados simples que, por si só, irão refletir na
redução dos riscos de acidentes e da poluição do ar.
O capacete é um sinal de amor
pela vida. Quando usado adequadamente e dentro das especificações técnicas
requeridas, ele protegerá a cabeça de seus ocupantes de impactos causados por
acidentes envolvendo terceiros no trânsito, ou simplesmente por quedas
decorrentes da perda ocasional do equilíbrio.
Mas é na união da prudência do
motociclista com a direção defensiva da motocicleta que o casamento entre “Você
e a moto” alcançará longevidade, e a viagem a lazer ou a trabalho terminará
sempre com um final feliz.
Carlos Alberto Ferreira dos
Santos
Membro do Conselho Nacional de
Trânsito
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