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Semana Nacional de Trânsito 2005


O tema da Semana Nacional de Trânsito deste ano reitera a preocupação do Conselho Nacional de Trânsito e dos órgãos e entidades que compõe o Sistema Nacional de Trânsito, com o ator principal das vias de trânsito – o pedestre – que atua no cenário da vida, nos homens e mulheres, jovens e adultos, crianças e idosos que transitam nas ruas, avenidas, estradas e rodovias das cidades brasileiras.

Em 2003 o tema escolhido – “Dê Preferência à Vida” – buscou exaltar o valor da vida humana, estupidamente abreviada no trânsito pela imprudência e intolerância de motoristas e pedestres que circulam despreocupados pelas vias.

No ano de 2004 também foi enfatizada a superioridade da vida sob o tema “O Trânsito é Feito de Pessoas – Valorize a Vida”, onde, novamente, buscou-se reafirmar a importância de valorizar-se a vida das pessoas, motorizadas ou não, no propósito comum de um trânsito seguro. Pessoas que diante da fragilidade da vida precisam se dispor a repensar suas ações, mudando hábitos e atitudes em favor da vida.   

A asseveração da verdade exposta no tema escolhido para este ano - “No Trânsito Somos Todos Pedestres” - inclui cada cidadão como responsável pelo bem-estar dos seus semelhantes.

Não há distinção entre pedestres que circulam acobertados no espaço privado dos seus veículos automotores ou que dependem do transporte público para sua locomoção, e aqueles que apenas caminham livremente no ambiente urbano. Não há distinção entre pedestres indefesos que andam carregados no colo de seus pais ou no ventre de suas mães, e aqueles que dependem de outros para os guiarem nas calçadas e travessias das ruas. Nós somos todos pedestres, e carentes do amor fraterno de nossos irmãos.

Nestes dias corridos que atravessamos, a máxima do sábio Salomão - “Melhor é serem dois do que um” – desponta como uma verdade que não pode ser negligenciada no caminhar dos pedestres, seja a pé, de bicicleta ou motorizado sobre duas ou mais rodas. A questão da segurança individual passa pela necessidade de se conviver em coletividade e implica em romper-se o casulo do egoísmo, que mergulha as pessoas em uma vida solitária e acarreta riscos à continuidade da vida.

A instabilidade emocional dos motoristas na condução dos seus veículos tem se afirmado em reações contraditórias, comandadas segundo variações momentâneas do humor. Ao mesmo tempo em que atrasam o seu percurso parando para prestar socorro a acidentados, reagem agressivamente às palavras, ações ou gestos julgados como ofensas. A reação extemporânea de homens e mulheres diante de uma provocação no trânsito produz resultados imprevisíveis, que podem levar a seqüelas à saúde e a vida.

A conscientização de que somos todos pedestres precisa unir a sociedade em um cordão pela preservação da vida. Não há segurança em se viver segregado em ilhas fortalecidas pela arrogância da vontade própria.

Não é possível andar nas ruas sem se envolver com o seu próximo. Não é possível assistir a ruína de alguém que sai embriagado de um bar e não assumir a responsabilidade pela sua vida e a de outros como ele, que cruzarão o mesmo caminho a pé, de bicicleta, motocicleta, automóvel, ônibus ou caminhão.

Na vida... Nós somos todos pedestres em trânsito, que um dia prestarão contas do uso dado a essa dádiva soprada por Deus.

O egoísmo pela sobrevivência deveria nos impulsionar a ser responsáveis por cativar as pessoas que andam conosco na carreira do trânsito. Ao agir assim nos situaremos em harmonia no propósito universal de construir um ambiente de vida sustentável.

 

Carlos Alberto Ferreira dos Santos
Membro do Conselho Nacional de Trânsito.
(Ministério do Meio Ambiente)

 

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