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O tema da
Semana Nacional de Trânsito deste ano reitera a preocupação do Conselho
Nacional de Trânsito e dos órgãos e entidades que compõe o Sistema Nacional
de Trânsito, com o ator principal das vias de trânsito – o pedestre – que
atua no cenário da vida, nos homens e mulheres, jovens e adultos, crianças e
idosos que transitam nas ruas, avenidas, estradas e rodovias das cidades
brasileiras.
Em 2003 o
tema escolhido – “Dê Preferência à Vida” – buscou exaltar o valor da vida
humana, estupidamente abreviada no trânsito pela imprudência e intolerância
de motoristas e pedestres que circulam despreocupados pelas vias.
No ano de 2004 também foi
enfatizada a superioridade da vida sob o tema “O Trânsito é Feito de Pessoas
– Valorize a Vida”, onde, novamente, buscou-se reafirmar a importância de
valorizar-se a vida das pessoas, motorizadas ou não, no propósito comum de
um trânsito seguro. Pessoas que diante da fragilidade da vida precisam se
dispor a repensar suas ações, mudando hábitos e atitudes em favor da
vida.
A
asseveração da verdade exposta no tema escolhido para este ano - “No
Trânsito Somos Todos Pedestres” - inclui cada cidadão como responsável
pelo bem-estar dos seus semelhantes.
Não há distinção entre
pedestres que circulam acobertados no espaço privado dos seus veículos
automotores ou que dependem do transporte público para sua locomoção, e
aqueles que apenas caminham livremente no ambiente urbano. Não há distinção
entre pedestres indefesos que andam carregados no colo de seus pais ou no
ventre de suas mães, e aqueles que dependem de outros
para os guiarem nas calçadas e travessias das
ruas. Nós somos todos pedestres, e carentes do amor fraterno de nossos
irmãos.
Nestes dias corridos que
atravessamos, a máxima do sábio Salomão - “Melhor é serem dois do que um” –
desponta como uma verdade que não pode ser negligenciada no caminhar dos
pedestres, seja a pé, de bicicleta ou motorizado sobre duas ou mais rodas. A
questão da segurança individual passa pela necessidade de se conviver em
coletividade e implica em romper-se o casulo do egoísmo, que mergulha as
pessoas em uma vida solitária e acarreta riscos à continuidade da vida.
A
instabilidade emocional dos motoristas na condução dos seus veículos tem se
afirmado em reações contraditórias, comandadas segundo variações momentâneas
do humor. Ao mesmo tempo em que atrasam o seu percurso parando para prestar
socorro a acidentados, reagem agressivamente às palavras, ações ou gestos
julgados como ofensas. A reação extemporânea de homens e mulheres diante de
uma provocação no trânsito produz resultados imprevisíveis, que podem levar
a seqüelas
à saúde e a vida.
A conscientização de que somos
todos pedestres precisa unir a sociedade em um cordão pela preservação da
vida. Não há segurança em se viver segregado em ilhas fortalecidas pela
arrogância da vontade própria.
Não é
possível andar nas ruas sem se envolver com o seu próximo. Não é possível
assistir a ruína de alguém que sai embriagado de um bar e não assumir a
responsabilidade pela sua vida e a de outros como ele, que cruzarão o mesmo
caminho a pé, de bicicleta, motocicleta, automóvel, ônibus ou caminhão.
Na vida...
Nós somos todos pedestres em trânsito, que um dia prestarão contas do uso
dado a essa dádiva soprada por Deus.
O egoísmo
pela sobrevivência deveria nos impulsionar a ser responsáveis por cativar as
pessoas que andam conosco na carreira do trânsito. Ao agir assim nos
situaremos em harmonia no propósito universal de construir um ambiente de
vida sustentável.
Carlos Alberto Ferreira dos
Santos
Membro do Conselho Nacional de Trânsito.
(Ministério do Meio Ambiente)
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